Difícil aceitar que agente não pode segurar o mundo com as mãos e aceitar que nem tudo depende do que agente quer ou do que agente pensa como intelectual.
Após três anos de tratamento psiquiátrico com fluoxetina (porsac para os íntimos), estou tendo uma recaída por supressão da droga. Tive que trocar de psiquiatra pois, meu antigo deixou o plano de saúde que tenho e estou completando 2 meses sem tomar meu remédio. E bom, o novo médico só tem vaga para novembro, portanto,aqui estou eu.
Sou depressiva e infelizmente depressiva química. Para os que não sabem o que é isso, os meu neurônios fazem a recaptação da serotonina, enzima da..ahm.."felicidade", é ela que nos dá a sensação de bem estar. Quando os neurônios fazem recaptação a serotonina não chega ao seu destino. Digamos que é como comer um sundae e vomita-lo de volta, come e não absorve as proteínas. É o que acontece com a enzima, você não absorve a serotonina produzida e esta volta (ou se espalha pelo meio) ao neurônio produtor sem passar totalmente para o neurônio receptor. Isso gera crises de depressão.
Foi muito difícil quando tive minha primeira depressão de verdade, entender que eu estava triste não porque não estava feliz (eu estava, na época já havia passado no mestrado, estava tudo perfeito amorosa, profissional e intelectualmente!!!), más porque eu não conseguia sentir prazer.
Hoje eu entendo e vejo como se deve ver, é como se tivesse hipertensão ou diabetes, uma doença que devo tratar para o meu bem e para sempre.Isso já não me incomoda mais, o que incomoda é ter que beber menos,a final, a droga é metabolizada pelo figado,portanto este fica meio sobrecarregado, mas posso tomar meus porres de vez enquando sim!!!! (sorrisos)
Não, não quero piedade ou dó, não é por isso que estou escrevendo isso aqui, apenas quero desabafar. Esrever me relaxa e desabafa, ainda mais agora que ando numa pressão incrível e que tenho um espaço longe dos conhecidos reais.
Na minha primeira depressão, não contei a ninguém da "turma", não quero ouvir frases tais como: "Estou aqui no que precisar", "pode desabafar comigo" não é isso que se nessecita quando se tem depressão, e sinceramente eu não preciso nem nunca precisei de "colo" ou da bondade piedosa cristã que é incutida desde pequenos em nós.
Peço que quem ler este post, SE for comentar, não o comente com esse intuito. Pena é o sentimento mais idiota do mundo. E bem, o que preciso náo é pena, é fluoxetina (risos).
No mais, acho que devo dizer para não haver preocupações, tenho meu ombro das horas difíceis e prometo que não vou fazer nada tosco tá?
Obrigado por lerem algo que não é legal e aceitarem minha opinião quanto a isso se já chegaram até aqui. Blogs são recheados desses pequenos dramas individuais e acabo de ser "mais um" blog com problemas que as vezes chegam a ser piegas. Isso é fato e isso é normal, não sou a primeira nem a única a faze-lo, mas sou consciente do que blogs são, tenham certeza disso.
Pessoas necessitam de atenção, sempre, e não quero ser mais uma dessas garotas que ficam escrevendo em verso (poemas, se posso chama-los disso) o que sentem , achando que estão abafando e são a última coca-cola da geração poética contemporânea porque conseguem escrever dois ou três versinhos sentimentaloides.
Mudando de assunto e permanecendo no mesmo, fazer poesia é fazer arte e não sentimento, poesia é muito, muito mais suor que lágrimas. Sentir qualquer um faz, desrever em uma linha todo o sentimento de uma geração não. Quem tem que sentir na poesia (na literatura em geral) é o leitor e não o autor. Poesia sentida perde em forma, em conteúdo, em beleza, em gramática, ou seja, em tudo. Rima e frases em versinho não querem dizer boa poesia. Não assassinem a poesia e não deixem-na ser assassinada !!!!
é isso...
See u.
(desculpem os erros de gramatica, não tive saco de passar ou revisor ou mesmo dar uma segunda olhada).
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